Pagina das Artes

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Arte, Cultura e Vida
Nuno Carrusca
Artista Plástico


A cena artística actual pode comparar-se à turbulência atmosférica, caracterizada por múltiplos conflitos, paralelamente e diferentemente colocados em eventos nos quais os valores, objectivos e significados são tão divergentes como uma canção popular o é em relação a uma sinfonia contemporânea.
No caso das artes visuais a situação é obscura, ainda mais pela falta de diferenciação interna comum a outras formas de expressão. Havendo uma tendência para homogeneizar a maneira como é entendida a arte contemporânea. Isto tem o efeito de desvalorizar a diversidade cultural e o pluralismo intrínseco às artes visuais.
O processo artístico tem-se manifestado aberto através da propensão natural para interagir com outras formas culturais, sendo meritório mencionar o encontro entre as artes visuais e o Teatro (neste caso manifesta-se através das artes performativas)
Esta flexibilidade é aparentemente devida ao facto de o nosso mundo ser dominado por imagens, as quais, por outro lado, provocam uma elevada tolerância em relação a diferentes manifestações visuais.
A interdisciplinaridade já não constitui o mais profundo da prática artística contemporânea.
A contemporaneidade na arte encontra-se a caminho de definir um conjunto de possibilidades dentro do social no seu todo, dentro de processos sociais, bem como no fabricar e reinventar a sociedade e a vida moderna. Pode-se dizer, de facto, que as artes visuais contemporâneas estão mais interessadas em trabalhar com a experiência de vida e a cultura em si mesma, bem como no domínio das várias ciências nas suas inter-relações e no encontro entre arte e ciência.
O facto da actividade artística ser orientada em relação à vida diária e à sociedade também a torna um acto político, fazendo a ideia da vida enquanto arena ou objecto para um projecto estético (a ideia de esteticizar através do envolvimento de uma comunidade, de uma região, de um país).
A implementação de uma política de descentralização cultural é um instrumento eficaz de democratização da cultura, ao permitir que todos os cidadãos tenham acesso às actividades de formação, aos programas artísticos e aos projectos culturais. Ajuda também a promover uma maior integração


Conversa com Emanuel Sancho

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Sambrasense por laços familiares e por opção de vida –“ A Vida é uma dádiva que devemos retribuir”-tem-se dedicado desde há cerca de 15 anos ao Museu do Trajo, primeiro como colaborador voluntário, em troca da anterior profissão na área do Turismo, e desde 1996 como seu director.
Fomos conversar com Emanuel Sancho para tentar perceber as ideias e as acções de alguém que vê “na intervenção cívica voluntária e livre o contributo que cada um pode e deve dar à comunidade onde vive e à qual tem a sorte de pertencer”.
Naturalmente falamos do Museu, “dos raros que não é do Estado nem da Autarquia”, e de um trabalho que aos poucos vai dando os seus frutos. “Os projectos culturais e artísticos não podem seguir o ritmo das campanhas e dos mandatos políticos”. Como exemplos refere-nos “ o registo fotográfico sobre a evolução urbanística do Algarve desde o início do séc. XX, com registos sistemáticos desde os anos 80 e que já conta com cerca de 50.000 imagens, e a digitalização de vários arquivos familiares que estão em fase de organização e brevemente poderão ser consultados pelos interessados; projectos com esta dimensão que impliquem prazos mais alargados são muitas vezes interrompidos, ou nem sequer iniciados, em função das alterações e mudanças de projectos políticos que têm objectivos mais imediatos do que o desenvolvimento cultural das comunidades”

Ouve-se um burburinho de vozes e passos no corredor; é mais uma visita ”desta vez são cerca de 100 pessoas num programa do INATEL”. A conversa pode continuar porque “há gente a tratar de tudo”. Embora com um quadro de pessoal composto por 3 funcionários (incluindo o director), a verdade é que a dinâmica e a abertura do Museu têm atraído a colaboração voluntária de muitos interessados, existindo desde Maio de 2005 um grupo de 230 Amigos do Museu (a maioria estrangeiros!) que tem contribuído para a realização de actividades lúdico-formativas que vão do Teatro à Música e à Dança, passando por Palestras e por todo um conjunto de tarefas indispensáveis ao funcionamento da estrutura. “Muitas vezes são os interessados que tomam a iniciativa e propõem actividades que passam a fazer parte da vida do museu”.

Também se falou da actividade cultural Sambrasense “ houve uma época muito importante e incontornável que abarca os finais do séc XIX e o início do séc XX, primeiramente no domínio dos ideais e da acção política e depois no âmbito das letras e das artes… mas as circunstâncias eram diferentes “ E quanto aos dias de hoje? “Sabe, às vezes é-me difícil conciliar a individualidade enquanto cidadão com a minha função de director do Museu, para que uma coisa não prejudique a outra. De qualquer dos modos, e falando de uma forma genérica, devia existir um maior distanciamento entre o poder político e a cultura porque muitas vezes - e na História Mundial encontramos inúmeros exemplos - os agentes culturais perdem a sua liberdade ao sujeitarem-se a compromissos que os podem transformar em meras imagens do poder. O ideal seria que fossem as instituições vocacionadas para as actividades artísticas e culturais a organizar os eventos e não as autarquias ou o governo, cuja função mais adequada seria a de criar condições e possibilitar a continuidade do trabalho dessas mesmas instituições, de modo a melhorar o presente e a assegurar o futuro. No entanto, e no caso de S.Brás, as potencialidades são imensas: actualmente assiste-se a uma recuperação demográfica e uma fatia importante da população é constituída por estrangeiros das mais variadas origens, o que pode resultar num fenómeno de multiculturalidade muito interessante e enriquecedor”.

E quanto a medidas importantes? “ Talvez mais abertura e debates com o envolvimento de um conjunto alargado de individualidades quando são decididas intervenções mais profundas, nomeadamente nos domínios arquitectónico e urbanístico… e perceber-se que as recuperações de centros históricos devem ser acompanhadas de medidas que revitalizem efectivamente esses centros e não os transformem apenas em lugares agradáveis aos olhos de quem por lá passa…”.

No caso concreto de S.Brás “ que apesar de tudo tem resistido bem à pressão construtora, é urgente prevenir a importante e característica reserva das Hortas e dos Moinhos, já ameaçada e apetecível devido à variante recentemente construída, inviabilizando-se à partida qualquer tentativa de construção. Também de importância crucial é a definição da zona industrial, para que não se continue a assistir a um salpicar incaracterístico e pouco funcional de fábricas e armazéns por entre casas de habitação…”

Temos que ficar por aqui… de muito mais se falou e muito ficou por falar. Fica para a próxima. Obrigado Emanuel Sancho.


Actividades

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2006 em sinopse

Oficinas
Em funcionamento: Yoga ,Samba e Guitarra
A iniciar em 2006: Piano, Saxofone, Flauta, Expressão Dramática, Técnico de Som,
DJ/Produção Musical , Fotografia Digital e Iniciação ao Inglês
Desporto
Futsall, Kempo, BTT, Carros de Rolamentos e Paintball
Geração Activa
Informática, Ténis e Futsal
Boletim Informativo
Trimestral, um em cada estação
Clube de Teatro
Com o objectivo de iniciar, organizar e dinamizar o grupo de teatro da AJS
Classe Musical Conjunto
A partir dos alunos de Guitarra, Piano, Saxofone e Flauta
Base de Dados de Sócios
Vamos tentar que fique actualizada e eficaz
Outras actividades
Janeiras, Desfile de Carnaval, Maio Jovem, Mês da Juventude (Junho), Simpósio da Pedra (Agosto), Verbena (Setembro), Outubro em Movimento, VI Gala Kempo/AJS (Dezembro)

E não se esqueça de propor , colaborar e participar nas
Realizações AJS
Bom Ano


Editorial

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“Um bago não enche o celeiro mas ajuda o companheiro”

Pois é “jovem sócio (ou amigo) Sambrasense”.
Tu que por cá ainda passas ou que já quase te esqueceste, lembra-te que, apesar das mudanças e das circunstâncias, o pouco que cada um pode e quer dar pode fazer a diferença e contribuir decisivamente para que a vida da A.J.S coincida realmente com a vontade dos sócios e com a intervenção que achamos por bem fazer na nossa terra.
Ao longo destes anos -e já lá vão 14 - são naturais os altos e baixos e também não espanta que “ o crescer” e “as coisas da vida” nos afastem um dos outros…
Este pequeno jornal – “Micro” por isso mesmo – é um espaço livre e aberto à participação dos interessados e pode ser uma forma de fazer circular informação e de partilhar ideias e experiências, tanto no que se refere às actividades da A.J.S como a outros assuntos de interesse geral. Ficamos pois a aguardar colaboração (opiniões, reportagens, ensaios) e sugestões. Apareçam por cá.
Já ia esquecendo que está previsto um “micro-jornal” por estação – E daí “microclima”– pelo que o próximo deve aparecer lá para a Primavera, como as andorinhas. Mandem o vosso bago para o celeiro e atenção porque “o que se leva desta vida é… o que se vive”

P.S: Não podemos deixar de referir que em Agosto de 95 a AJS publicou o nº0 do Gente Jovem coordenado por Ana Assunção, ao que sabemos o único boletim informativo editado pela AJS




Humor dos Antigos/O doutor e a criada*

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Havia um doutor que tinha uma criada e deu em ter tratos com ela. Ela apareceu ocupada e a criada queixou-se a ele que estava naquele estado. O doutor disse-lhe:”- olha, eu estou velho e não tenho a quem deixe os meus bens; guarda segredo nisso que eu deixo tudo a essa criança.”

Chegou a hora dela adoecer e ele, como doutor, tratou daquilo sem ninguém saber. Meteu a criança dentro de um alforge, arranjou um contrapeso e foi levá-la para um concelho distante, para uma ama a criar.

Indo no caminho, sai-lhe o sacristão à frente, dizendo que acudisse, que o prior da freguesia estava muito doente. O doutor foi; lá amesinhou o padre que ficou bom.

Acabado o curativo a criança chorou e o padre disse:” - o que é?” O doutor respondeu: “- então você não viu que eu tirei de si aquela criança!?” O padre disse logo que procurassem uma ama, que ele pagava tudo e que não descobrisse nada, o doutor. Este assim fez…

Passados três anos, o padre quis ver o filho e o doutor disse-lhe: “- Com que então o pai é um alferes da cavalaria cinco?”


* Conto recolhido em “O Livro do Alportel “ de Estanco Louro. A ortografia foi actualizada e foram feitas pequenas alterações.


Yoga

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Filosoficamente, pode-se dizer que o Yoga se ocupa da procura e do reconhecimento da divindade dentro de nós, através da prática de vários exercícios com a finalidade de harmonizar o corpo, a mente e a alma.
Uma das maneiras de praticar Yoga é o Hatha Yoga que podemos definir como a procura de posturas do corpo que nos preparem para a meditação. Para praticar o Hatha Yoga não são necessários conhecimentos profundos; todos nós somos capazes de executar os exercícios, independentemente da idade, ao mesmo tempo que se dá atenção especial à inspiração e à expiração, sendo que cada um irá sempre até ao seu limite e de acordo com o seu próprio ritmo.
O Hatha Yoga contribui para a flexibilidade do corpo, fortalece os ossos e as articulações, melhora a posição do corpo, regula o sistema circulatório e influencia os órgãos da digestão e do metabolismo. Deste modo é uma ajuda em caso de stress ou de desequilíbrio emocional e melhora a concentração e a percepção das reacções do nosso corpo, permitindo atingir momentos de relaxamento profundo.
A AJS tem a funcionar uma oficina de Yoga todas as quartas-feiras entre as 20h30 e as 21h45, no Pavilhão Municipal.


Regina (monitora de Yoga da AJS)


Futsal

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Campeonato Distrital de Iniciados-Zona Sotavento
Campeões

No passado dia 9 de Abril , ao vencer por 7-1 a Casa do Benfica de Loulé no Pavilhão Dr. José Sousa Pires, a AJS sagrou-se Campeã da zona Sotavento em Futsal- Iniciados. Com os 40 pontos correspondentes a 13 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, a nossa equipa deixou o segundo classificado (Sociedade Recreativa Loulé-Gare) a 7 pontos de distância e foi ainda o melhor ataque com 84 golos marcados (em média mais de 5 golos por jogo) e a segunda melhor defesa com 32 golos sofridos (o Grupo Desportivo e Cultural Jograis António Aleixo, 3º Classificado, só consentiu 28 golos). Fábio Dias, capitão, foi o melhor marcador da equipa com 31 golos. De salientar o facto da equipa não ter sofrido qualquer castigo durante todo o campeonato (16 jogos), tendo apenas visto três cartões amarelos.

A fase final desta competição engloba os três melhores classificados das zonas Barlavento e Sotavento, decorrendo de 22 de Abril a 24 de Junho em 10 jornadas. O primeiro jogo é a 22 de Abril, em S.Brás, pelas 17h00, contra o Gil Eanes Juventude Portimonense Clube.

Já na pré-epoca a equipa demonstrou potencial ao conseguir dois segundos lugares na Torneio de Futsal de Estoi (Sub-16 e Sub-14) com 80 golos marcados e o troféu de melhor marcador Sub-14 para Tiago Mathisen (19 golos). Em Santa Catarina da Fonte do Bispo ficaram em primeiro lugar em Sub-15, com a melhor defesa e o melhor ataque, conquistando ainda a “Taça disciplina”, a “ Taça melhor Jogador” (Tiago Mathisen) e a “Taça melhor Marcador” (Francisco Pires com 19 golos). Na final, com os Jograis António Aleixo, a vitória foi 7-4.
Para comemorar realizou-se uma festa convívio na Fonte Férrea, com elementos da direcção, pais dos jogadores e alguns adeptos mais assíduos .
FORÇA CAMPEÕES! Vamos apoiar a nossa equipa!




Alguns são tidos como perigosos e por isso são destruídos ou proibidos, enquanto outros são dados às crianças. Há-os de Poesia e de Ciência, mas também técnicos e políticos, com ou sem imagens ou só de imagens, em todas as línguas e para todos os gostos ou situações -há livros sobre praticamente tudo.
Num tempo em que somos “assediados” constantemente por inúmeros canais de difusão e por infinitas mensagens em simultâneo, um livro continua a ser aquele contacto íntimo e secreto de quem o lê. Um livro exige vontade e atitude a quem quiser nele entrar e, se for um bom livro, o leitor não ficará certamente igual.
Mas um livro também é de quem o escreve e o problema do escritor acaba por ser muitas vezes a edição: Quem quer publicar o meu livro? Não é fácil e principalmente os poetas raras vezes conseguem convencer os editores que o negócio dos versos é lucrativo.
Por isso há que encontrar outras soluções. Foi o que fez a ARCA- Associação Recreativa e Cultural do Algarve com a sua Antologia de Novos Poetas Algarvios -“Do Solo ao Sul”, que reúne cinquenta poemas de cinco poetas inéditos: João Bentes, Pedro Afonso, Pedro Sousa, Ricardo Paulo e Ruben Gonçalves. Para além de terem arranjado patrocínios para a totalidade da edição, todo o “lucro” resultante das vendas será aplicado na próxima Antologia com mais poetas inéditos.
Jorge Serafim optou por uma edição de autor para o seu livro de poemas “A Sul de Ti” com ilustrações de Sílvia Viola.
Em ambos os casos foi possível “Poesia a Sul” sem recorrer aos mecanismos comerciais do costume. Para aguçar o apetite dos amantes apresentamos nesta página as capas dos dois livros e aceitamos encomendas.



O texto marca o mundo, acrescenta e subtrai-lhe. Singulariza-o nalguns olhares ou fixa-o inexpugnável num ponto fora de tudo, pronto a resvalar e continuar de novo.
Não faltarão nunca motivos para nos dedicarmos a ele: o texto-mundo. A escrita e a leitura nunca acabarão, tomem o formato que tomarem. Entretanto, algures, está a publicação: a necessidade de fazer do texto um objecto legível, de o fazer partir e chegar, circular.
Num contexto tão capitalista como esquizofrénico como o de hoje, penso que devemos escolher o esquizo e publicar o não comercial. Não me refiro aos conteúdos - estes apenas comerciais, ou não, conforme o que deles se quiser fazer - mas à atitude com que se publica: o fim que se lhe (não) quer dar, o que o queremos fazer produzir.
É daqui que surge este artigo aqui nesta publicação, caro leitor(a); é aqui que se pode falar de associativismo e publicação. O objectivo de divulgar o texto, de o dar a ler, de o fazer produzir (mais texto), pode e deve ser, já é, papel das associações.
Os autores e os textos que circulam, por vezes deambulam, pelas comunidades nas quais actuam as associações juvenis, culturais, recreativas, devem agir com elas, como os animadores e os técnicos disto e daquilo. Devem servir de ferramentas para a educação social e cultural, devem ser catalisadores de pensamento e sítios de discussão, nunca deixando de ser produtos culturais a promover e a defender como valores patrimoniais.
Penso, caro leitor, que publicar os textos das gentes que nos são próximas, que vivem onde vivemos, é contribuir para o desenvolvimento cultural e social das comunidades e que este é, como está bom de ver, um objectivo de qualquer associação que se preze.
As associações são as possíveis plataformas para a publicação do que as editoras comerciais não publicarão, da mesma maneira que são um excelente meio para aproximar autores locais promovendo a discussão, o convívio e, consequentemente, a evolução dos mesmos. As associações serão também um meio para aproximar autores e leitores e, mais importante, para criar novos leitores. É tão urgente criar leitores como criar texto e estamos tão perto uns dos outros, não é caro leitor...
Há já alguns exemplos no Algarve de actividade associativa no âmbito da literatura; alguns frutos colhidos, outros a amadurecer, mas há, sem dúvida, muito ainda a fazer, quer para se criar mais, mas também para que não se perca o que já se vai criando.
Assim, congratulo esta publicação, a qual o caro leitor está a ler, outras que por aí circulam e as que de páginas brancas surgirem.

Pedro Afonso
Responsável pelo NucLi, núcleo de literatura da ARCA


Faro, 18 de Abril de 2006



Pensava eu que o 25 de Abril só era comemorado desde 1974. Foi com esta convicção que há uns anos atrás, estando eu na Ilha do Pico e calhando ser 25 de Abril, perguntei ao parceiro de café: “-Então e por cá, também se comemora o dia dos cravos?” e o meu amigo picaroto, com aquele ar que de tão sério cheira a gozo, responde superiormente:”- Então não sabe? Nós aqui já celebramos o 25 de Abril há séculos! Hoje, dia de S. Marcos, é o dia dos cornos”. “-Dia dos Cornos?” repeti interrogativamente. “- Sim, de madrugada vamos os homens todos em cortejo, atrás do maior par de cornos disponível, e entre uns golos de vinho e de aguardente e uns versos feitos para a ocasião, fazemos uma ronda em grande algazarra com paragem à porta dos cornudos mais conhecidos… Quem não acha piada nenhuma são as mulheres dos ditos cujos que, geralmente insultando a procissão, reclamam a sua inocência:”-Mentirosos!... Bêbados!...”. E é assim toda a noite, até ao primeiro crepúsculo que faz dispersar num ápice os conjurados. Sabe, isto pelo sim pelo não mais vale um homem ir no cortejo do que correr o risco de estar em casa quando lá passarem… Por isso amigo, cá o 25 de Abril comemora-se há muito tempo. É o nosso dia dos cornos”.
Hoje, passados mais de trinta anos sobre a revolução dos cravos, qualquer picaroto com aquele ar sério cheio de gozo perguntará: “Será que os gajos dos cravos nos andam a pôr os cornos?”

Fiquei tão esclarecido que me lembrei do provérbio: “Do Pico, nem por carta nem por escrito”.

Pedro Monteiro


Associativismo

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O Associativismo é o pilar fundamental para o desenvolvimento das comunidades, em geral, e dos grupos, em particular. Esta prática responsabiliza e implica activamente os cidadãos, no sentido de os tornar agentes de mudança e agentes do seu próprio desenvolvimento
A prática do associativismo permite criar ao nível da comunidade uma rede catalizadora de sinergias que visam dar resposta às necessidades da população. Neste contexto, torna-se imprescindível o papel de cada um de nós no sentido de melhorar o nosso bem-estar e qualidade de vida.
O associativismo em geral e o juvenil em particular desempenham um papel essencial no exercício da cidadania, e a sua prática reflecte-se numa escola de aprendizagem e de partilha, onde é possível compreender e conciliar diferentes pontos de vista e perceber como funcionam as instituições e a vida em comunidade.
É este, no fundo, o papel das Associações e, por isso mesmo, o objectivo fundamental da Associação Jovem Sambrasense - desenvolver junto dos jovens o espírito de cooperação, de partilha, perspectiva positiva de união, de ultrapassar desafios, de aprender brincando.
A AJS, tal como as associações em geral, pretende disponibilizar a logística necessária à realização das actividades planeadas pelos sócios. Assim, cada sócio tem o direito e o dever de usufruir e dispor dos meios e recursos existentes na sua associação.
O associativismo dá, a cada cidadão, a oportunidade de dinamizar colectivamente actividades e projectos que vão de encontro aos seus interesses, capacidades e potencialidades. O espírito e o trabalho em equipa fazem com que seja possível ocupar os tempos livres de uma forma saudável e divertida, atingindo objectivos comuns e adquirindo conhecimentos e experiências que serão recordados durante toda a vida. A cooperação entre as pessoas estimula o desenvolvimento da auto-estima, cria progressivamente mais confiança entre os cidadãos e consequentemente uma maior coesão social, as pessoas tornam-se seres mais responsáveis, mais solidárias, mais humanas e, no fundo, mais felizes!


Rute Sousa e Rute Gago (Direcção AJS)



Na edição número 1 do Microclima, no final desta coluna dedicada à Natureza e à Ciência, foram lançadas algumas questões despoletadas pela notícia sobre as zonas livres de OGM (organismos geneticamente modificados) publicada no Diário de Noticias dia 12 de Dezembro de 2005:

É importante ou não o concelho ser uma “zona livre de trangénicos” ?

Será correcto ou errado produzir, usar e desenvolver OGM’s?


Antes de responder a estas questão devemos tentar responder a outras que as precedem. Será correcto que a humanidade modifique ou interfira com os demais seres vivos, ou seja com o que for, na Natureza?
É difícil deixar de concluir que sim, é correcto. Os seres humanos são desde logo parte integrante da natureza e da biosfera onde partilharam a sua evolução com outros organismos; a satisfação das necessidades básicas do Homem levou-o a modificar a natureza envolvente, é exemplo disso a domesticação das primeiras plantas que terá ocorrido há cerca de 12.000
anos e, desde então, a mão humana selecciona, cruza e selecciona novamente, numa actividade incessante de melhoramento genético que deu origem às variedades de cultivo actuais, que se tornaram praticamente irreconhecíveis em relação às plantas ancestrais.
Mas legitimar o princípio não implica legitimar todas as acções, todos os graus e todas as formas pelas quais alteramos o meio natural. Pescar à linha é diferente de pescar à bomba , ou seja, há certos tipos de intervenções no mundo vivo e no ambiente que serão sempre condenáveis e outras que dependerão do grau, da forma e da sua finalidade. Assim deveremos aceitar como eticamente legítimo o princípio da modificação genética de organismos. O que pode ser condenado eticamente são as consequências, os fins e os riscos que essas modificações podem trazer para o Homem e para toda a Natureza envolvente.
Os OGM’s não são necessariamente trangénicos, isto é, nem todos receberão genes de outras espécies; um OGM é também um organismo que tenha simplesmente alterado ou desactivado um gene e isto acontece constantemente na Natureza sem risco ambiental implícito.
Há modificações que podem trazer inovações benéficas para o ambiente e para o desenvolvimento sustentável, como é o caso de colheitas trangénicos que dispensassem pesticidas, ou capazes de crescer em solos pobres, ou alteradas para serem mais ricas em proteínas, ou mesmo com alguma propriedade terapêutica ou preventiva induzida. Mas quando se trata de organismos trangénicos, os riscos ambientais inerentes são uma realidade, visto serem situações novas para os ecossistemas naturais e é difícil prever a longo prazo qual o resultado dessa modificação, há o risco de transferência dos genes introduzidos para espécies não alvo pelas mesmas vias biológicas que podem transpor genes entre espécies na Natureza. Assim, é importante que haja para cada situação uma avaliação técnica, científica e ética ao nível do organismo e situação ecológica para poder concluir com rigor se é benéfico introduzir esta nova tecnologia.
Uma das bandeiras das indústrias de biotecnologia e de muitos biotecnólogos tem sido a alegada erradicação da fome e da pobreza no mundo graças aos OGM’S. Eu, como estudante de Biotecnologia, acredito que tal argumento é falso - acabar com a fome carece obviamente de mais do que simples desenvolvimento tecnológico. Os OGM’s hoje em uso e comercialização, ou anunciados para breve, não parecem ter sido criados no sentido de dar alimento e riqueza aos países e povos mais necessitados, mas antes no sentido da oportunidade de lucro e de negócio das multinacionais que os desenvolvem.
A realidade concreta é que o uso agrícola de OGM’s levanta riscos potenciais para a diversificação das colheitas, geralmente considerada pertinente para a sustentabilidade da agricultura; levanta riscos para a agricultura familiar e de pequena dimensão; levanta riscos de endividamento e dependência acrescida a países como Portugal, se o monopólio das sementes trangénicas mais produtivas ficar nos países mais ricos e tecnologicamente mais avançados.
A região do Algarve, juntamente com outras regiões do país, já reivindicou perante a Assembleia da República a posição de permanecer como zona livre de OGM’s, agora cabe aos agricultores, associações ambientalistas e executivos municipais discutirem e aprovarem o futuro dos belos campos algarvios.

Marco Ferraz
aluno do curso de Eng. Biotecnológica da UALG



No passado dia 10 de Março pelas 18:30, o projecto “ Geração Activa” inaugurou na sede da Associação Jovem Sambrasense a exposição “ Um olhar Digital”. Nesta exposição pudemos ter contacto com as fotografias que foram enviadas para o concurso nacional promovido pelo “Programa Escolhas 2ª Geração”. Estiveram dispostas em vários painéis segundo os seguintes temas:” Natureza”, “Amizade”, “Natal” e “Férias”. Esta exposição esteve patente até dia 24 de Março na AJS e pode ser visitada, desde 27 de Março, na Associação In Loco.
Na inauguração estiveram presentes representantes de diversas entidades do Concelho que colaboram com o projecto, beneficiários do Centro de inclusão Digital, familiares e a equipa técnica do projecto.
Para colmatar, efectuou-se a entrega do prémio ao Ruben Gago, 2º Classificado da categoria 1 do mesmo Concurso que ficou muito contente com a sua máquina digital!
Em nome da equipa técnica digo:”É muito gratificante para nós proporcionar momentos de felicidade como este!”

Suzy Caboz
Técnica do Projecto Geração Activa na Associação Jovem Sambrasense


Conversa com Jorge Serafim

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Quem é o Serafim?
Olha, sou um rapaz de Beja, que trabalha na Biblioteca Municipal, que gosta muito de contar histórias, por isso anda um bocadinho pelo país, e quando pode, um bocadinho pelo mundo a contá-las, trabalha na área de promoção do livro e da leitura, gosta de poesia, de ler e de escrever, gosta de sair de casa para ver exposições, teatro, outras coisas, gosta de copos, petiscos, gajas boas… do Benfica e pronto e, resumidamente, uma pessoa que gosta de fazer muitas coisas.
Qual a diferença entre o Serafim “A sul de ti” e o Serafim “Levanta-te e ri”?
Há diferenças, mas ainda bem que as há, porque são da mesma pessoa, repara, o ir à televisão funciona como um hobbie mensal, não faço vida do que levo à televisão, o “A Sul de Ti” é um livro de poesia, mas quer dizer, eu nem acredito que hajam dois lados da mesma moeda, faz tudo parte da mesma pessoa, escrevo, rio, choro, grito, aborreço-me, digo mal do Cavaco Silva e do Sócrates como toda a gente, mas não tem que haver forçosamente diferenças, nós por escrevermos poesia não temos que criar clichés para ir à televisão e vice-versa, não é? É a mesma pessoa.
O Serafim será mais poeta ou mais contador de histórias?
Eu acho que um poeta e um contador de histórias têm muita coisa em comum, que é esta questão do ritmo da linguagem que há muitas vezes nos contos, também o há, obviamente, na poesia. É isso que há nas duas actividades e que eu me revejo mais, o conto então é uma coisa que desnuda muito, porque se reparares bem não tens cenários, não tens luzes, não tens nada, estás com a tua roupa normal, está tudo centrado em ti e revelas-te muito na forma como contas os contos e gosto dos contos que estão muito num registo humorístico, outros porque me identifico, porque os contos têm esta riqueza de confronto com as nossas angústias e as nossas aspirações. A poesia sinto um bocado isso também, a necessidade de me exprimir. O contador de histórias e o escritor de poesia então é de certeza o mesmo, acho que uma coisa não existe sem a outra, em mim.
Além dos contos e da poesia, que outras artes pratica?
Nunca vi uma estratégia de engate tão óbvia (risos) … Gosto de trabalhar na Biblioteca, tocar as minhas guitarradas em casa, sou muito autodidacta, estar em casa alivia-me, ajuda-me a passar o tempo, o livro de poesia resultou num espectáculo de música que vocês ficaram de me convidar para ir a S. Brás (Vamos convidar), ir a S. Brás… gosto muito desse espectáculo, fazemos um jogo com a declamação e a poesia… gosto muito… não sei se podemos considerar que são artes mas, gosto muito, quando posso, de viajar, tenho um prazer imenso em conhecer pessoas, atrai-me fazer outras coisas, como já te disse, ver exposições, pegar numa mochila às costas ir para Lisboa, ao CCB e bater lá 4 ou 5 exposições, uma peça de teatro, ir ao bairro alto beber uns copos valentes, as vezes é insatisfação, nunca estou contente com o que tenho e por isso ando sempre à procura de coisas novas, parece que nada chega e isso às vezes é mau…
E em termos de projectos futuros?
É assim, continuar a contar contos mas cada vez mais refinado, isto tem que ser uma forma de estar diferente, porque há um cansaço enorme de ir a todas e perceber que nem todos os contextos são de contos e as situações criadas não são as mais propícias a esta coisa do contar histórias. Ás vezes apanhamos sítios de um ruído imenso, isto são coisas intimistas e portanto mais de 60 pessoas começa a ser barulho a mais, perde a intimidade. Projectos futuros, olha, continuo a escrever, estou agora a trabalhar num registo de histórias de humor a partir das histórias que levo à televisão para uma editora, não sei quando vais sair porque este projecto, da minha parte, está muito atrasado, continuar a rodar com o tal espectáculo criado entre música e poesia a partir do “Sul de Ti”, trabalhar na Biblioteca de Beja, tentar chegar os hábitos de leitura mais às pessoas, isto já é um projecto imenso, de uma dimensão impar, olha, o que vier… huém (Risos).
Que tipo de Alentejano é o Serafim?
Sexy, sensual, uma retro escavadora na cama… (eu vou publicar isso… risos) Não sei, uma pessoa teimosa, insatisfeita, que gosta de ser alentejano mas não é provinciano, há coisas boas e más em todo o lado, e o Alentejo não é excepção, não sou daquele tipo que acha que nós é que somos bons e que os outros são uns marrecos.
S. Brás, qual é a sua ideia sobre a nossa terra?
Muita mulher boa… (risos) S. Brás parece, no interior da serra, uma terra que, apesar de arquitectonicamente estar muito descaracterizada, tem pessoas, pelo menos as que tenho conhecido, com uma grande paixão pela sua terra, e sempre o provaram desde o início, porque das primeiras vezes que fui contar histórias fora foi em S. Brás de Alportel debaixo de uma árvore, num jardim ao pé das piscinas municipais, já lá vão uns 8 ou 9 anos, sentados nuns fardos de palha a apanhar micoses a torto e a direito. Fico contente que a malta, ao fim destes anos todos, continue a fazer coisas; às vezes é tão simples juntar um grupo de amigos e começar a mexer, e às vezes também é tão fácil inventar desculpas para não fazer nada… A minha ideia, pela experiência que tenho, pelo bom público que me tem aparecido no cine-teatro e na galeria municipal, nas várias vezes que lá fui , é um público aderente a iniciativas culturais, pelo menos eu tenho tido essa sorte, muito antes da televisão, portanto a televisão não é desculpa. Precisamos é de pessoas dinâmicas, com uma grande paixão pela sua própria terra, que lutem por uma identidade algarvia que infelizmente se vai esvaindo de dia para dia. É só turismo massivo e mais nada.
O que pensa sobre o associativismo?
Eu vejo o Associativismo como uma das grandes conquistas de Abril, mas temos que repensar e procurar outros modelos de actuação. Felizmente não é o caso da vossa Associação mas muitas Associação legalizam-se e depois centram-se em uma ou duas pessoas. Penso que o Associativismo exige de facto a entrega de todos, senão é uma grande sobrecarga e isso agrada-me na vossa Associação, há muitas pessoas que assumem a iniciativa e a responsabilidade de fazer coisas. O Associativismo é uma construção abrilesca de Democracia, mas parece-me que anda pelas ruas da amargura, muita coisa mudou, inventaram-se meios visuais que remetem as pessoas para casa, as cargas horárias de trabalho não permitem às pessoas pensar nessas coisas, as pessoas quando saem do trabalho querem é “sopas e descanso”, isso era uma coisa que eu mudava se tivesse o poder, diminuir as horas de trabalho.
O que pensa da liberdade em Portugal nos dias de hoje?
Olha que perguntas… A liberdade é uma coisa que se conquista mas tens modelos tão excessivamente neoliberalistas que não sabes bem a liberdade que gozas. Ter liberdade de expressão, que a tens…
O problema é que a liberdade dá direito de expressão, dá direitos e dá deveres, e isso é um ponto fulcral, que as pessoas muitas vezes esquecem. Tens umas regras de mercado e umas políticas tão neoliberalistas que as pessoas vivem num cansaço físico e psíquico, trabalhando para qualquer coisa que não é comum, tu trabalhas para valores económicos, não trabalhas para uma humanização colectiva da sociedade e do mundo, que tenho a sensação que essa liberdade nem é desfrutada. Já não precisas de ditaduras físicas, ou repressivas, para calar as pessoas, podes cansá-las, as pessoas nem têm tempo, nem frescura física e psíquica para usufruir dos seus direitos de cidadania, daí não serem mais activos e participativos, porque de facto as pessoas trabalham tanto, tanto, que isto não está feito para essa liberdade utópica que nós queremos, de livres pensadores, de livres reflexões. Somos todos livres, pois somos, mas andamos todos cansados e saturados, basta ver as patologias psíquicas, as depressões e outras coisas, a depressão é considerada a patologia do século. Cada vez mais as pessoas recorrem à drunfaria e aos psis e àquelas coisas todas para aguentar as jornadas do dia a dia, porque este mundo livre não está feito para as capacidades das pessoas, daí os problemas cardíacos na nossa geração, o stress, até que ponto nós somos livres? Há um problema muito grave que o António Torrado, escritor de literatura infantil, coloca num livro que se chama “Da escola dos sentidos à escola sem sentido” e que está bem criado. Percebeu-se que o sentido mais “guloso” do ser humano são os olhos, a visão come, e todos os dias tens a parafernália, ecrãs feéricos, publicidade, cartazes a entrarem-nos pelos olhos dentro e começas a ausentar-te nos outros sentidos; há quem diga que isso vai trazer mutações físicas no ser humano porque já não precisas de ouvir como ouvias, de saborear como saboreavas, de tactear, os olhos comem, os olhos dão-te tudo, podes ter um pêro lavadinho e por dentro podre mas é brilhante… Até que ponto temos essa liberdade, a liberdade de não exercermos o nosso corpo, os nossos sentidos, a nossa sexualidade. Se temos alguma liberdade de pensamento estamos a tirar a do corpo…
(Tem que haver um equilíbrio…)
Tem, tem que haver e parece que não está a haver, isto caminha sempre para números, para metas económicas porque temos que atingir índices de competitividade, e quando atinges esses índices tens que atingir outros mais altos. Isto vai para além daquilo que o ser humano é capaz.
O 25 de Abril o que é que vale?
Há aqui dois aspectos que são paradigmáticos e controversos: deu direitos mas neste povo tem que ser assumido que também há deveres. Por outro lado há coisas que se conquistaram e que fruto deste neoliberalismo se vão perdendo. A mim custa-me ver a segurança social perder de dia para dia benefícios e gente que trabalhou no campo, que deu a este país o que deu e que se reformam com 18 contos, por isso podemos ver que há coisas que não foram conquistadas e está provado que se o Estado tem perdido direitos e tem perdido políticas a nível social e de reintegração, com estas políticas não nos estamos a aproximar dos outros, eles continuam a ir à frente e portanto há aqui qualquer coisa que não está a bater bem, mas continuo a achar que é a data mais bonita de todas e valeu a pena, só tenho pena que… mas isto é fruto da natureza humana, as coisas esquecem-se cedo, lembro-me da luta e da coragem do Capitão Salgueiro Maia que depois morreu sem direito a uma reforma, negada pelo Professor Cavaco Silva que agora é nosso Presidente, o teu vizinho, que no mesmo ano que lhe negou a reforma condecorou dois Pides por serviços prestados à Pátria. Mas foi uma data importante, uma revolução única, foi muito pouco o sangue derramado e é daqueles dias que faço questão de andar de cravinho ao peito. É a nossa data mais bonita.


Quem nos apoia

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Não, não é um grito desesperado, nem um pedido de socorro… mas embora sem fins lucrativos e assente no trabalho voluntário, uma Associação tem que assegurar fontes de receita que garantam o desenvolvimento da sua actividade.
É este aspecto que vamos focar aqui: Afinal, de onde vêm os financiamentos e as condições para a AJS garantir o seu funcionamento e poder organizar e executar o seu Plano de Actividades?
No ano de 2005, dos quase 25.000€ de despesas, 19.500€ foram para a Produção de Actividades, 4.700€ para Funcionamento e 520€ para Despesas com o Pessoal (tudo números arredondados).
E de onde veio este dinheirinho?
A Câmara Municipal contribui com 11.250€ através de um protocolo assinado anualmente, a Junta de Freguesia com 4.000€ e o IPJ, através do PAAJ, com 2.600€; os restantes cerca de 10.000€ foram conseguidos pontualmente através de donativos de entidades privadas, dos quais se destaca o importante apoio com que o InterMarché patrocina as nossas equipas de Futsal.
A estes números acrescenta-se o Projecto Geração Activa, em parceria com a IN LOCO, que é financiado por Fundos Europeus e que orça em cerca de 12.400€, mais de 95% dos quais para assegurar despesas com Recursos Humanos inerentes à coordenação do projecto.
Mas o dinheiro não é tudo. A Câmara Municipal cedeu o espaço onde funciona a nossa sede e assume as respectivas despesas com água e electricidade, assim como os gastos com o envio de correspondência pelo correio. O espaço do Botelho’s Bar foi-nos emprestado pelo Senhor Cândido e é lá que se têm realizado algumas festas e onde está instalado o campo de Paintball. Também importante é o acesso gratuito ao Pavilhão Municipal onde se desenrolam os treinos de Futsal e de Kempo, assim como as sessões de Samba e Yoga. Salientamos ainda a disponibilidade que o Museu do Trajo do Algarve, na pessoa do seu director Senhor Emanuel Sancho, tem manifestado ao permitir a utilização da sala de concertos e exposições.
Para 2006, para além dos parceiros acima referidos, temos que destacar a parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional que, através da assinatura de dois Programas Ocupacionais (POCs), permite à AJS, embora temporariamente, assegurar um Animador Cultural e uma Administrativa. Este ano concorremos ainda aos Projectos Pontuais da Delegação Regional da Cultura do Algarve para apoio ao nosso Grupo de Teatro.
Em 2006 o orçamento para a realização de Actividades ultrapassa os 70.000€, estando para já assegurados 25.000€, pelo que o restante terá que ser assegurado pelas próprias actividades e pelos que nelas participam, a par de donativos pontuais que acabam por ir aparecendo.
Um dos nossos objectivos para 2006, como forma de aproveitar o melhor possível condições mais económicas e para aprofundar o relacionamento entre Associações, é procurar uma maior colaboração com outras Associações, estando já em curso uma parceria com a ARCA de Faro, tendo sido também estabelecidos contactos com a União Desportiva e Recreativa Sambrasense e com o Clube Desportivo e Recreativo dos Machados.
Aproveitamos para mais uma vez agradecer, agora publicamente, a todos aqueles que têm confiado em nós e que muito merecidamente foram acima destacados a negrito.


Editorial

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“É na Primavera que o sangue se altera”
E de que maneira! As flores abrem-se, os ursos acordam, os pássaros namoram, as meninas aparecem de saias curtas e braços nus, a luz azula, o ar aquece, o cheiro muda - há um frenesim de sorrisos que todos sentem pelo sangue acima - e, ás vezes, até brotam revoluções.
A Primavera é o tempo da “promessa”, da idade jovem, da força da beleza… e é nessa idade da Juventude que tanto se altera a nossa vida, à medida que cada vez mais e amiúde vamos sendo obrigados a escolher e a assumir responsabilidades, a tomar posições perante o que (nos) vai acontecendo e perante os sentidos que as situações vão tomando.
É por isso que nos associamos, entre nós e com outras associações, em cooperação e pela troca, para fazer e conseguir aquelas alternativas que só são possíveis graças ao trabalho, ao saber e ao querer de muitos, diferentes mas embalados no mesmo rumo, sem intenções contrárias, nem secundárias, nem rivais.
Quem sabe se consiga fazer da vida um “acto de liberdade” e vão apenas um “ facto consumado” ou um “ vale de lágrimas”
E se não pudermos alterar tudo, pelo menos que o tudo não nos altere de todo… já basta a Primavera.


Microclima/Primavera/Spring/nº2

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